Acreditar por acreditar se me tornou uma fórmula infundada. Não condiz com as minhas técnicas de compreensão, porque me criaram com um cérebro dentro do crânio, e entendo que esse cérebro pensa, analisa e conclui.
Mas esse cérebro também inventa e expõe. Manipula e é corrompido com a mesma facilidade.
E estamos todos vulnerá

veis, essa é a pior parte.
Uma coisa que percebi há alguns dias, foi que passei a apreciar mais os livros nos quais os autores, de alguma forma, deixam a mensagem de que nada ali é pregação de verdade absoluta. Alguns inclusive indicam a reflexão pessoal do leitor pra aceitação ou não do conteúdo ali exposto.
A primeira vez que vi uma lucidez desse gênero foi numa citação de Sidharta Gautama, sobre a postura do seguidor diante dos seus próprios ensinamentos.
Essa liberdade de interpretação e aceitação é importante. Apesar de também não afirmar muita coisa em relação às veracidades das temáticas. Mas liberdade é sempre importante.
Outro ponto proveniente da lógica é que no fundamentalismo e na obrigação não há liberdade.
Acreditar em algo por acreditar só é justificado por duas hipóteses: ou se é obrigado a tal ou se trata o tema com descaso.
Os dois casos são decadentes e tristes. Entretanto, ambos são plausíveis de mudança, caso o crente queira alterar a perspectiva.
É muito simples escolher um dos caminhos e nele seguir por inclinação ou vantagem qualquer que não provenha da compreensão verdadeira e do empenho na mesma.
Se as convenções do meio compelem pra certo rumo e se os ventos soprarem a favor do tal rumo, parece muito conveniente seguir nele, independente do que se sente ou entende. Normalmente o que parece conveniente não o é, de fato. Esse é o perigo de se negligenciar o cérebro na hora de acatar as afirmativas do que não se conhece.
A aventura de se escravizar em alguma crença de forma irracional dá margem pra uma série de abusos, por vezes sutis – principalmente pras mentes enferrujadas.
Quando falo de crença, não me empenho somente à religião. Ciência é crença. Materialismo é crença. Tudo mais é crença. E o problema, em suma, não é no quê se crê. A questão é: por que se crê, para que e como se crê.
Quando se analisa, se observa, quando pensamos, formulamos, filosofamos sobre as coisas ao redor, começamos a angariar uma característica de suma importância pro nosso equilíbrio e proteção: discernimento.
Com discernimento, que não é de fácil alcance, não existe mais a crença infundada ou imposta por sistemas descabidos e hipócritas. O discernimento é uma das bases pro passo seguro e firme, do passo intimamente verdadeiro, daquele que vai confiante por um caminho escolhido através da aliança da mente e do sentimento, em perfeito equilíbrio.