28 de Junho de 2009

...


087
Tudo é tão pesado
E amargo
Um jogo tão difícil
E nefasto
Fica difícil continuar a partida
Não sei porquê fui apostar
Acho que já estou de saída
Não pretendo mais jogar

Sei que a rodada é longa
Devia saber disso quando aceitei, certo?
Mas no momento não recordo o que provavelmente combinei
Nem me recordo o quanto apostei
Nem o quanto já ganhei
Nem o quanto eu roubei
Ou quanto já lhe paguei

Deixo um cheque, uma garantia
Mas não comprometa a minha vida
Porque essa regra é descabida
E nenhum contrato eu assinei
Com concessão de tão alta valia
Faltou-me mesmo sabedoria
Quando apostei meu coração
*FB

23 de Maio de 2009

Quem é vivo sempre aparece!

Talvez essa seja a milésima vez que eu digo isso, mas... "eu não esqueci deste blog, apesar de ter sumido e de pouco atualizar". E talvez seja a milésima segunda vez que eu digo "mas eu pretendo escrever mais aqui"...

E é verdade. Acho que eu pouco atualizo porque fico esperando surgir uma grande idéia para um grande texto e isso rarmente acontece. Devo ser mais humilde e parar com isso. Pelo bem da humanidade. Preciso escrever! E escrever qualquer coisa! Portanto, não se assuste se eu começar a postar bobeirinhas sem conteúdo filosófico/inteligência (caso isso já não aconteça).
Eu só quero escrever, gente... :/

Ah! Os videologs! Calma, não me aposentei videograficamente falando!
Estive perdida num lapso temporal, num buraco de minhoca qualquer, fui parar num outro universo por uns tempos. Um universo de mortais que passam os dias sem reparar no céu, no sol, ou contemplar a abstração da existência. Um universo de trabalho e almoço diário em restaurante e mais trabalho depois.

Resumindo: não tive tempo de produzir mais vídeos porque andei ocupada com trabalhos. Mas tudo bem, antes tarde do que nunca! Em breve teremos um novo episódio. Já comecei as gravações, mas ainda não tenho a mínima idéia de sobre o que será. Provavelmente mais um nonsense, totalmente sem graça. Normal!

Obrigada aos que ainda pousam por aqui.
Obrigada pelos últimos comentários. Que bom que gotaram do layout!

Qualquer hora eu apareço, então, ok?

Saudações!
Flavia

11 de Maio de 2009

Sintonizando


015

Em meu coração, uma estrela
Estrela que brilha, estrela que ama
Estrela que pulsa, estrela que clama
Mais que a mim, queria sê-la

De resto, em mim, céu escuro
E em algo ilumina o pentagrama
Do Profundo Amor de Quem ama
Emana do peito o sol puro


Flavia Borges
(03/02/2005)

YAM
OM AIM HRIM KLIM CHAMUNDAYE VICHE
Om Namo Bhagavate Vasudevaya

13 de Abril de 2009

Cansaço Fatal


042


Meu peito arde

E meu coração, de tanto bater, abriu-me uma ferida

Estou farta do mundo

Farta da vida

Quero deixar o nada que criei

Largar o tudo, que nunca alcancei

Vou-me embora

Pra onde...

não sei (Passárgada, talvez)

O respiro me cansa

Meu olhar já é mudo

Cansei

Cansei

Estou farta do mundo.

Morrer...

pra poder descansar

Morrer...

e não mais respirar.


*FB

27 de Março de 2009

Entendendo o Jornalismo –Parte I

Rara crítica por Flavia Borges

Certa feita me decidi por cursar publicidade e propaganda. Supus que seria um meio receptivo pra canalizar toda essa criatividade que me acomete. Mas em uma daquelas crises de rebeldia-quase-sem-causa, desisti da opção porque cheguei a conclusão de que não havia profissão mais obviamente materialista que essa. Era o cúmulo, na minha concepção, eu trabalhar (com muita sorte conseguir) direta e explicitamente para construir a base que sustenta esse capitalismo que os rebeldes-quase-sem-causa adoram agredir verbalmente.
Pelas rotas tortas desta vida, vim parar no que diziam ser um outro extremo da Comunicação. O lado social, que tem o dever da informação em prol da população, os divulgadores da verdade e defensores da democracia. É... bem utópico assim...
Só que dia desses, me senti meio estranha com a verdade que me surgiu. Se eu fosse rebelde a certo ponto diria agora que o Jornalismo é mais ordinário que a Publicidade, pelo simples fato de ter quase a mesma finalidade em termos práticos, mas ser hipócrita por manter essa atuação velada atrás de discursos populistas.
Que coisa mais feia.
Contudo, me perguntei se não seriam os profissionais que fariam a profissão. Concluí o sim e o não. Jornalistas fazem o jornalismo, embora o jornalismo hoje se faça por outras coisas também. E “essas coisas” obrigam jornalistas, e conseqüentemente o jornalismo, às funções toscas da publicidade.
É sempre triste quando as máscaras caem.
No cúmulo pensei se o jornalismo não seria até pior que a publicidade. Essa pelo menos serve ao deus herege e assumi. O jornalismo prático serve ao diabo e a deus ao mesmo tempo. Vai ver que é isso que chamam democracia nessa profissão.

A Crença

Por Flavia Borges
Acreditar por acreditar se me tornou uma fórmula infundada. Não condiz com as minhas técnicas de compreensão, porque me criaram com um cérebro dentro do crânio, e entendo que esse cérebro pensa, analisa e conclui.
Mas esse cérebro também inventa e expõe. Manipula e é corrompido com a mesma facilidade.
E estamos todos vulneráveis, essa é a pior parte.
Uma coisa que percebi há alguns dias, foi que passei a apreciar mais os livros nos quais os autores, de alguma forma, deixam a mensagem de que nada ali é pregação de verdade absoluta. Alguns inclusive indicam a reflexão pessoal do leitor pra aceitação ou não do conteúdo ali exposto.
A primeira vez que vi uma lucidez desse gênero foi numa citação de Sidharta Gautama, sobre a postura do seguidor diante dos seus próprios ensinamentos.
Essa liberdade de interpretação e aceitação é importante. Apesar de também não afirmar muita coisa em relação às veracidades das temáticas. Mas liberdade é sempre importante.
Outro ponto proveniente da lógica é que no fundamentalismo e na obrigação não há liberdade.
Acreditar em algo por acreditar só é justificado por duas hipóteses: ou se é obrigado a tal ou se trata o tema com descaso.
Os dois casos são decadentes e tristes. Entretanto, ambos são plausíveis de mudança, caso o crente queira alterar a perspectiva.
É muito simples escolher um dos caminhos e nele seguir por inclinação ou vantagem qualquer que não provenha da compreensão verdadeira e do empenho na mesma.
Se as convenções do meio compelem pra certo rumo e se os ventos soprarem a favor do tal rumo, parece muito conveniente seguir nele, independente do que se sente ou entende. Normalmente o que parece conveniente não o é, de fato. Esse é o perigo de se negligenciar o cérebro na hora de acatar as afirmativas do que não se conhece.
A aventura de se escravizar em alguma crença de forma irracional dá margem pra uma série de abusos, por vezes sutis – principalmente pras mentes enferrujadas.
Quando falo de crença, não me empenho somente à religião. Ciência é crença. Materialismo é crença. Tudo mais é crença. E o problema, em suma, não é no quê se crê. A questão é: por que se crê, para que e como se crê.
Quando se analisa, se observa, quando pensamos, formulamos, filosofamos sobre as coisas ao redor, começamos a angariar uma característica de suma importância pro nosso equilíbrio e proteção: discernimento.
Com discernimento, que não é de fácil alcance, não existe mais a crença infundada ou imposta por sistemas descabidos e hipócritas. O discernimento é uma das bases pro passo seguro e firme, do passo intimamente verdadeiro, daquele que vai confiante por um caminho escolhido através da aliança da mente e do sentimento, em perfeito equilíbrio.